A cor só alterna com o branco e com o dourado presente nas coroas. Na mesa de chá ao fundo, jogo de chá completo com estampas florais e guardanapos decorados. Bem-vindo à Escola de Princesas. Fundada em 2013 na psicopedagoga Nathalia de Mesquita, a ideia veio de um sonho, literalmente. “Numa noite eu tive um sonho que eu trabalhava numa instituição de princesas, e eu descobri aquilo belo, descobri um recinto desigual, eu pensava: ‘se eu tivesse uma filha, era isto que eu desejaria de aconselhar para ela’. No dia seguinte, eu comentei com meu marido e, como ele tem uma visão empreendedora, por que não?
E como eu adoro de desafios, comecei a pesquisar e vi que havia a suposição. Embora fosse algo inédito, não sabia da aceitação, a gente abriu. As aulas são ministradas por profissionais incalculáveis, entre cabeleireiros, cozinheiras, nutricionistas e psicólogos. Num Chá de Princesas efetuado em nossa visita na universidade, as gurias, todas vestidas com camisetas polo brancas com golas cor-de-rosa e saias pela mesma cor, aprendem todos os dados de como se portar à mesa.
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“Ou a gente põe a mão no colo, ou pode permanecer com a mão na mesa. ‘O sonho de toda criancinha é tornar-se uma princesa’ é o mote da escola, que recebe críticas por ser, provavalmente, um retrocesso ao explicar tarefas domésticas só pra garotas, como se ensinasse que recinto de mulher é pela cozinha. Mas a fundadora discorda, e acredita que quem pensa dessa forma não conhece a real proposta do recinto. Opa, vou lá, cato uma agulha, em 2 minutos prego um botão e pronto, resolvi o problema. Não irei solicitar para a mãe, não irei chorar, não irei trocar de roupa sendo assim.
A nossa probabilidade é que elas sejam grandes mulheres, grandes empresárias, quem sabe uma que tá sentada por aqui, amanhã, não será a presidente do Brasil? Que vai possuir uma cabeça e ponderar: ‘Eu entendo resolver com cada situação.'”, explica Nathalia. Ela continua explicando que espera que as ‘princesas’ ali possam ser mulheres completas em todos os estilos.
Por que eu tenho de abrir mão da minha carreira pra ser mãe? Ela podes ser mãe, ela poderá ter a carreira dela, ela podes ser dona de residência, ela pode ser o que ela quiser”. O discurso esbarra no fato de que a universidade não aceita moços. Mesmo desse modo, diz defender o maravilhoso de direitos igualitários entre os gêneros. A mãe de uma das alunas, a pedagoga Lidiane de Melo Nicurgo, acredita que existe um “movimento de mulheres que querem direitos iguais”, todavia ela acredita em “papéis diferentes”. Lidiane acredita que o colégio contribui pra que tua filha “divida estas tarefas de modo mais leve” com o parceiro.
A proposta de elaborar ‘princesas independentes’ ainda se confunde com o resgate de certos costumes antigos. “Hoje os pais identificam a escola de princesas como um suporte à família, aquilo que se perdeu no decorrer do tempo. Também, toda a atmosfera cor-de-rosa e a feminilidade exaltada pelo ambiente remetem a um estereótipo feminino que vem sendo tão combatido. Mesquita conta que a todo o momento há uma pergunta nas aulas: ‘Como seria um universo sem as mulheres? ’ E, todas ocasionalmente, todas as crianças falam: ‘seria muito aborrecido, não teria cores’. “Para ter essa ideia de que tem coisa que é da mulher.
Na visão de todas as moças que vem nesse lugar, elas falam que ‘não teria rosa, não teria essa doçura, essa delicadeza'”, acredita. Mas o que desperta a vontade das pequenas ‘princesas’ de conhecer o colégio é mesmo a ‘fantasia’ de ser uma princesa. Durante uma aula de etiqueta à mesa, o chá das princesas, as criancinhas, de 8 a 10 anos, contam que suas princesas favoritas são da Disney.
Uma prefere a Aurora, de A Bela Adormecida, durante o tempo que outra prefere a Bela, de A Bela e a Fera. Por conversar em príncipe, os relacionamentos amorosos são focos frequentes das aulas com criancinhas mais velhas. Uma princesa deveria esperar pelo príncipe encantado? “Sempre tem a pergunta, elas estão naquela idade da curiosidade, que é cada vez mais cedo.
Essa criação gosta das coisas muito rápidas, e não tem muito compromisso, é o ficar por ficar, tentar sensações novas, e isso pode ser um perigo”, diz a fundadora. Os perigos, ela explica, irão desde à gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis até ‘consequências sociais’. “A gente fala aqui que, quando a gente come uma fruta verde, ela não é tão saborosa como no momento em que ela é madura, por causa de ela não esperou. Tudo o que é mais esperado é mais gostoso. A gente tenta conduzir esse conceito mesmo de saber se guardar”, conta a criadora da escola.
Assim, a psicopedagoga acredita que as criancinhas necessitam se ‘privar’ pra impossibilitar a imagem insatisfatório para os fedelhos. “Eu tenho um filho adolescente e algumas vezes ele fala: ‘mãe, aquela menina tá superfalada, ninguém mais quer ficar com ela’. É uma guria de 14 anos. Ainda existe este preconceito, por mais que a gente prontamente tenha conquistado nosso espaço, é contrário. O homem podes fazer o que quiser e nunca será rotulado, mas a mulher ainda vai”, relata. Afinal, ela se defende: “Se ela quiser, lógico, ela é livre, nesse lugar nada é imposto.